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CANÇÃO
No desequilíbrio dos mares, as proas giraram sozinhas... Numa das naves que afundaram é que certamente tu vinhas.
Eu te esperei todos os séculos sem desespero e sem desgosto, e morri de infinitas mortes guardando sempre o mesmo rosto.
Quando as ondas te carregaram, meu olhos, entre águas e areias, cegaram como os das estátuas, a tudo que existe alheias.
Minhas mãos pararam sobre o ar e endureceram junto ao vento, e perderam a cor que tinham e a lembrança do movimento.
E o sorriso que eu te levava desprendeu-se e caiu de mim: e só talvez ele ainda viva dentro dessas águas sem fim. De Viagem (1939)- Envio poesia.net, Nro 260(Carlos Machado)
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